Os dias frios chegaram.
A brisa gelada no almoço e os passos que buscam o lado da calçada que bate sol trazem de volta o sorriso sem motivo.
Outono chega sempre gargalhando na cara de quem só sabe ser feliz no calor. Não é sacana, apenas sabe seu tempo.
Ontem à noite saía fumaça da boca de quem conversava no Alto da Boa Vista. O vapor falado me tira o peso dos olhos e acarinha a alma.
É que eu e o Outono temos piadas internas. Somos amigos há muitos anos, e há quem ache até que somos amantes. Eu não desminto. Nem confirmo.
A gente já fez muita coisa junto: viagem, passeio, música, comida, verso, pintura e amor.
Todo ano eu brindo, todo ano eu saúdo, todo ano ele me faz reinventar nossa história, sob nova ótica, arquitetada com novas palavras, inundada de novos encantos que eu ainda nem sabia existirem.
Tem gente que aproveita o ano-novo para recomeço e novos planos.
Eu uso o Outono.
Tem gente que busca as melhores memórias na infância.
Eu as acho no Outono.
Tem gente que procura a alma gêmea.
Eu já achei a minha.
É o Outono.




