A vida como ela era

E ontem foi-se embora meu Twitter. E uns 2 meses antes dele, Orkut e Facebook.

O motivo não é nada complexo. Eu já vinha questionando a necessidade dessas ferramentas há algum tempo.

Uma voz, assim, de mim pra mim, começava a dizer: Não tem mais o que fazer não?

Essa porra começa como um passatempo pros momentos de ócio e em alguns minutos vira a atividade principal que te faz estar ali achatando a bunda em frente ao computador.

Daí engrenei um papo com a Carolzinha, que é totalmente alheia a redes sociais. Fez cadastros de tanto receber convites, mas os perfis ficam abandonados e só são acessados se alguém avisa que tem recado lá. Então indaguei o que ela fazia na internet, já que não usava os maiores vícios internéticos atuais, ao que ela me respondeu:

- Ah, prefiro ver coisas na internet, e não pessoas.

PÁ!

Tapão na cara. Na minha cara. Sem querer óbvio, que Carroláine é um docinho.

Era o que faltava pra eu apertar o delete sem medo de ser feliz. Meu grito de salvação ante a mediocridade.

E agora tenho que reaprender como era a vida antes dessa cyber invasão…
E até que tô gostando! :)

A Pós nossa de cada sábado

Meus sábados estudantis estão com os dias contados. Desde Abril do ano passado eu não sei o que é curtir uma noite de sexta-feira. E quando tento, nunca é sem culpa ou pânico pela força que terei que fazer no dia seguinte pra me manter acordada de 08:00 às 14:00. No primeiro mês era novidade, pelos dez seguintes um sacrifício necessário, e nos últimos tempos já tenho sentido saudade do que ainda nem acabou. Ao longo do curso a turma foi ficando pequena, aquela velha peneira do tempo e intresse do aluno, né. E no final o que sobrou foi muita gente legal, com boas idéias e ótimo humor.

Em junho acabam as aulas presenciais, e depois serão mais dois meses de pesquisa e orientação pro projeto final, porém, com horário flexível.

Hoje vejo que ter trancado a minha segunda graduação (Letras na UFF) pra começar essa pós foi a melhor coisa que eu fiz. Minhas ambições profissionais e acadêmicas se abriram de uma forma que eu nunca imaginei, e eu, que sempre fui perita na arte de deixar tudo relacionado a estudo pra véspera, consigo hoje me organizar como também nunca pensei que pudesse.

Fora isso, eu fiz uma grande amiga.

Além de produzirmos incrivelmente bem e fazermos todos os trabalhos juntas, ela sempre me traz de presente algum creme MARA quando vai visitar o irmão em Londres, consegue ser mais estabanada que eu (mesmo tendo a metade do meu tamanho) e me manda eventualmente emails como esse que acabei de ler:

“Eu contei que minha mãe esqueceu uma carne no congelador né? E que sempre desligamos a luz antes de viajar..

Cheguei em casa da Pós e fui recebida por uma mosca do tamanho de uma moeda. Fui limpar a cozinha e descobri mais umas 200 das coisas bizarras (que eu acho que são larvas de moscas-gigantes-do-agreste) por TODA a parte (em baixo das coisas, por isso nao tinha visto antes).
Sem falar que quando fui olhar de perto, tb encontrei um monte de… sei lá, parece gergilim, mas têm pernas e cabeça, e andam.

Bom, já contratei meu ex-namorado e atual amigo pra me ajudar na empreitada. 3 garrafas de agua sanitária, 4 litros de desinfetante e umas 50 panelas de agua fervente depois, eu ainda tô morrendo de nojo e encontrando coisas nojentas pela cozinha e copa (pq eu preciso ter uma copa, meu Deus?)

Acho que amanha e depois eu devo ficar nessa função, então aproveitei pra te avisar. E desabafar. Pq eh sábado e tá todo mundo farreando, enquanto eu pago pelos meus pecados uahuahauhahu
Me deseje sorte amiga.

Beijos, bom domingo! “

Definitivamente, eu A-DO-RO a Carolzinha.

Abaixo tem eu, ela, mais a Hilana e a Carol Moraes hoje no final da aula testando as brincadeirinhas que a Webcam do Mac faz.  :p

Passa no débito?

E em um momento de inércia, Deus criou as coisas inúteis.  Entre as 10 mais, certamente estavam os papeizinhos comprovantes de pagamento do cartão de débito.

Cresci com aqueles conselhos de mãe e avó desconfiadas: “PEÇA SEMPRE A NOTA!”
Quando eu era criança, lembro de uma campanha na TV com musiquinha feliz incentivando os consumidores a pedir a nota fiscal – “SUA NOTINHA VALE UM NOTÃO”. E como brasileiro tem a eterna síndrome da vítima sacaneada, acaba tendo a mania de acumular qualquer prova de que comprou aquela coisa naquele lugar.

Só que essa merda não é nota, não serve pra porra nenhuma, ao contrário do que o nome ‘comprovante’ diz não comprova xongas, o que tá escrito nela apaga com o tempo, além de ter o incrível poder de sumir de qualquer lugar que você a deposite. Ou seja: um mero lembrete temporário que você agora tem menos dinheiro na sua conta que há 30 segundos atrás.

É, porém, um ótimo passatempo para sala de espera de consultório médico.

-O doutor tá atrasado, dona recepcionista?
-Um pouquinho só.
-Quantos na minha frente?
-Doze.
-Ah, tranquilo. Tenho pelo menos três horas de passatempo limpando minha carteira.

Já houve vezes em que eu quis dar uma de mulher responsável, ciente e com pleno domínio de todos os meus gastos, e tentei analisar tais comprovantes. Ver o que realmente foi importante, o que foi futilidade, etc. Mas como o nome do estabelecimento nunca tem porra nenhuma a ver com a lojinha feliz do shopping – tipo, o Mc Donlds é na verdade Dorotéia Quitutes – eu continuo na mesma.

Mas o alívio de ver a carteira magra ao final do processo é sempre gratificante.

Daí uma vez, vi um cara que trabalhou comigo adotar uma tática muito interessante.  Quando íamos almoçar, e a mocinha ia imprimir o comprovante do ticket – que é a mesma merda do débito -, ele dizia “não precisa tirar o meu não, tá?”. Adorei a idéia.

Só que alguns seres humanos simplesmente não pensam. Eu sei, dói aceitar isso, mas é verdade.

Percebi que freqüentemente quando eu digo “olha, não precisa me dar o comprovante não, tá?”, as criaturas dizem “Ah, tá”, imprimem do mesmo jeito…e jogam fora.

Os fabricantes de bobina agradecem.

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