Sempre tive muita curiosidade acerca do pensamento ateu. Aqui em casa, a liberdade de escolha sempre foi algo muito vivo. Mesmo tendo crescido em meio a um oceano de livros e conversas sobre espiritualidade, esoterismo & afins, a minha livre-fé sempre foi respeitada e jamais influenciada.
Um dia, na infância, perguntei o que era ateu. “É quem não acredita em Deus, em nada.” Lembro bem do tom didático que essa explicação veio, desprovida de qualquer julgamento ou condenação.
E há poucos anos, bastante por causa da internet, o pensamento ateu se fazia cada vez mais presente diante de meus olhos, e comecei ler e entender melhor sobre esse universo, e acabou que eu descobri que um monte de gente que eu conhecia que era ateu e eu não sabia.
Aí que veio a parte mais legal: fui vendo o quão admiráveis eles eram.
Sério. Em geral, são as pessoas que eu mais gosto de conversar madrugada adentro, as tiradas mais engraçadas, os questionamentos mais inteligentes, os posts que eu mais leio no Facebook.
E tem aquilo que eu mais aplaudo: o caráter. Eles são corretos, extremamente corretos. Éticos, sinceros, diretos, e não por medo de castigo divino, de lei do karma ou macumba da vizinha: pela boa e velha moral. Pelo respeito ao espaço alheio, pela capacidade empática, que não deixa que eles façam aos outros o que não gostariam que fizessem a eles.
E quando digo ATEU, não é aquele filhodaputa da esquina que vive num poço de egoísmo passando por cima de tudo que atrapalhe seu caminho sem pensar no amanhã. Falo da pessoa que defende suas ideias, a ciência, a melhoria do mundo atavés do pensamento lógico e questiona a bitolação que gera guerras e semea a discórdia, da pessoa que é contra preconceitos e intolerâncias.
Mas claro, isso é a minha observação. Não estou dizendo também que quem tem religião é pior do que quem é ateu. Aliás, esse texto não tem entrelinhas: eu quis dizer exatamente o que eu disse.
E apesar de pensar extremamente parecido com boa parte do que eles dizem, não, não me ‘converti’ ao ateísmo. Discordo de alguns pontos, assim como discordo de diversos pontos de diversas religiões. Continuo tendo a minha crença pessoal, que não é nem A, nem B ou C. Fé, pra mim, é como um grande restaurante a quilo, onde eu pego o que mais me agrada de cada prato e faço meu mix particular.
Se sou radical em algum ponto, é na minha oposição a tudo que segrega ou faz uma pessoa se sentir superior a outra por uma simples divergência de pontos de vista.
Acho que no final das contas, o que importa não são as diferenças, e sim, como a gente lida com elas.