A maldição do pé-frio.

Só quem é pé-frio sabe o pavor constante que se carrega. E digo mais: pé-frio é um vírus, e não existem meias ou bacias de água quente no mundo suficientes para sanar este mal.

Tudo corria bem na minha vida de torcedora. Quase todas as competições que eu assistia me faziam feliz. Mesmo com somente 6 anos de idade, lembro perfeitamente do ouro olímpico de Aurélio Miguel. E o vôlei masculino em 92, Barcelona? Nossa, dei minha alma naquele jogo. Copa de 94 então nem se fala. Lembro até hoje da tensão, do meu estômago travado na cobrança de falta do Branco na semifinal contra a Holanda e as lágrimas que brotaram quando a bola entrou, e as tantas outras que derramei com o Tetra conquistado.

Até que em 1995, tenho certeza, só pode ter sido ali, eu contraí o vírus do pé-frio.

Uma vez cheguei do colégio passando muito mal mesmo, fui internada às pressas, o médico disse não conseguia diagnosticar o que era, mas que se fosse dengue, eu já naquele estado, iria morrer. Mas não era Dengue: era o vírus do pé-frio.

Ele começa a se manifestar aos poucos, não mostra logo de cara a que veio.

Eu torço pelo Fluminense. Poucos meses depois da minha recuperação, foi a final do campeonato carioca, o inesquecível Fla X Flu, onde numa cagada ímpar, torto e sem jeito, Renato Gaúcho dá uma barrigada (literalmente), e é gol. O jogo foi tenso, o gol foi sem querer, e mal imaginava eu, toda a tristeza que começava a causar à população pó-de-arroz, e mais adiante, ao Brasil.

Em 97, Fluminense rebaixado. Em 98, DE NOVO. Em 99, quando eu parei de ver os jogos por vergonha, ele foi campeão da terceirona, e (mesmo sem eu achar justo) voltou direto pra primeira.

A Copa de 98 eu assisti, e perdemos. Até os jogos do Intercolegial que eu fui lá torcer deram merda; vôlei, basquete, handball, perdemos tudo. A copa de 2002, agradeçam à Fifa por ter sido no Japão & Coréia, porque assim eu não aguentava acordar pra ver. Na final, já começando a entender que a culpa de derrotas anteriores era minha, fiquei mais olhando pra rua do que pro jogo, e vencemos.

Em 2003, comecei a ir direto no Maracanã com a minha prima ver os jogos do Flu. Só perdia. Quando presenciava um empate, meu coração se enchia de alegria. E incrivelmente, todas as partidas que eu não assistia, o Fluzão ganhava.

Em 2004, durante o carnaval, houve um Fla-Flu. Eu e minha galerinha íamos assistir juntos. Meu amigo – também tricolor – se atrasou, passou lá em casa pra me buscar com o jogo já iniciado. Fomos ouvindo no rádio pelo caminho, jogo tenso, zero a zero. Chegamos, entrei fazendo festa, olhei pra tela, pulando e gritando FLUZÃO EÔ – gol do Flamengo. INSTANTANEAMENTE gol do Flamengo.

2005 chegamos à final do Carioca de novo. Eu ia ao Maracanã, queria provar pra mim mesma que eu era mais forte que o vírus do pé-frio. Eu ia mesmo, estava decidida. Na última hora não fui, torci do bar.  O vírus me deu uma recompensa por não tentar ser mais forte que ele, e vencemos, não sem sofrimento, no último minuto da prorrogação, o Volta Redonda.

Aí eu entendi o seguinte: eu sempre tenho que me contentar com menos: Se o jogo é no Rio, eu não posso ir ao Maracanã; se é fora do estado nem pela televisão posso acompanhar. E outra: se tá ganhando, eu chego, empata ou perde. Se tá empatado, com minha aproximação é derrota certa.

Vocês não sabem como é terrível ter que recusar convites pra bares, estádios, casa dos amigos, em prol do bem de milhares de pessoas

Copa de 2006, me enfeitei toda de verde e amarelo em todos os jogos, e deu no que deu.

E agora é o momento onde revelo o meu maior crime: ter ido à final da Libertadores. Peço perdão à TODA massa tricolor, e tenho plena noção do sofrimento que causei à milhões de torcedores. Juro nunca mais tentar ir contra o mal que me domina. Eu não tinha ido a NENHUM jogo da Libertadores, nenhum. Só assistia de casa, do bar e mesmo assim sem dar atenção integral. A vitória contra o Boca acho que foi um momento de alta imunidade do meu organismo, onde o vírus ficou  meio caído. E na final, minha tia me dá um ingresso de presente. PRA QUÊ, meu Deus, PRÁ QUE?

Nas Olimpíadas, no dia da competição do Ciello, estava prestes a ligar a televisão, mas pensei que aquele menino tão bonitinho não merecia isso. Me tranquei no quarto e acompanhei pelos gritos dos vizinhos. E ele venceu.

Meninas do futebol, me perdoem, eu também as assisti. Acho que sou viciada em derrotas, existirá tratamento pra isso? Vôlei feminino, idem. Masculino não consegui acompanhar. Ainda bem.

Ah, Rubinho, Massa, desculpa também. Senna morreu antes que eu contraísse o vírus, então tá tranqüilo. Guga, mal aê. Edinanci, gata, seu bronze é puro mérito meu. Daiane, Diego Hypolito: mil perdões.

E agora começo a me questionar se esse mal que carrego não avançou do setor de esportes e invadiu agora a política. Ah, meu Deus! Só pode ser isso… Eu devia ter votado no Paes.

10 Respostas para “A maldição do pé-frio.”

  1. rbalbi diz:

    Só vi o Flamengo ganhar uma vez ao vivo. Na gávea. 1×0 sobre o Friburguense. Gol de Válber. Pffff…

    Acho que sofro do memo mal. Por isso q quando a gente foi ver Fluminense e SP, o Flu ganhou. – com – dá +, de modo que se, por exemplo, tivermos sempre um número par de pés frios nos estádios, o time vence.

    Pense nisso,
    R.

  2. Raphael Dias Nunes diz:

    Vire Flamenguista e passe a ir em TODOS os jogos do Flamengo, pelo amor de Deus! Eu pago os ingressos e te dou uma camisa, se vc quiser!

  3. berg diz:

    Lilão lilão!!!

    te espero aqui no mineirão no domingo que vem!!!

    e não precisa se preocupar..basta não assistir os demais jogos …principalmente o contra o são paulo…nem pense em futebol nesse dia!!!

  4. Mariana Machado diz:

    O augusto, namorado, tb tem certeza que contraiu esse vírus. Só que ele é flamenguista. De repente vcs deviam ir num FLA-FLU juntos para estudar se os vírus se anulam ou se existe diferentes níveis de contaminação… de repente um dos dois tá com pé-frio hemorrágico e nem sabe!

  5. Camilla diz:

    pqp mulé!!! Vc está se superando!!! Adorei e mais um vez crise de risos!!!

  6. Biscoito diz:

    Não sei, acho que teu vírus de pé-frio também é reforçado por seres torcedora do Fluminense. Assim não dá mesmo!

    Tenho um amigo que não acompanha os jogos do Grêmio só para que vençamos. Ultimamente, com o Grêmio na liderança a pontos do Palmeiras, ele resolveu ir no Olímpico. E foi aí que começou todo o mal e essa perda de pontos.

    Mas fica triste, não! O mundo é bão, Sebastião!

  7. Dani diz:

    HAUHAUAHUAHAHAHAHAHAH!!!
    ai amiga…. q horror! ó, faz um favor pra mim intaum… n assiste ao jogo do fluminense hoje, ok??? Ele tem que ganhar pra ajudar o Mengão! heheheheheh

    Amiga, só um comentário, uma babação de ovo báááásicaaa!! tá escrevendo cada vez melhor, heim?! Mto orgulho da minha amiga! :)

    Beijossssss

  8. otto diz:

    hahahahahaha
    é é, seja pé frio do framengo pelo menos!!! :D

    hahahahahaha bjos

  9. Dadah diz:

    amiga, se existisse tratamento eu contribuia !


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