Simplesmente amor – Parte II

Quase quatro meses desde o último post. O papel que eu tinha deixado aqui do ladinho do teclado com os tópicos que eu abordaria nos posts seguintes sumiu, lógico.

Se fosse possível comprar tempo, eu já estaria com muitos empréstimos e crediários em andamento.

O fato é que hoje é sábado, minha aula acabou mais cedo, eu não quis ir à praia. Não tenho trabalho pra fazer, a manicure é só em 1 hora e meia, e eu estou me dando o tempo livre de ser, de nada ter que fazer. Então vim blogar.

De Maio pra cá, aconteceram várias coisas  que me fizeram pensar muito, mudar muitas idéias e formas de encarar o tal do amor. E acho até, que se o papel ainda estivesse aqui, talvez fosse inútil.

Bem, vamos lá.

Tem um tema muito recorrente em chamada de novela, que é esse negócio de: çai da minha mente

“Hoje, Suzivânia é uma mulher bem sucedida, Jomário tem uma família feliz, mas eles nunca esqueceram aquele grande amor do passado…

Daí corta para cena dos atores caracterizados como juvenis.

Daí eu fico pensando…

MAS QUE MERDA!

Que merda passar 10, 15, 20 anos com o pensamento e coração presos, sem poder seguir em frente, se envolvendo pela metade com outras pessoas, enganando de certa forma essas outras pessoas.  Será que isso existe mesmo?

Não, eu não acredito que o amor possa ser mau e aprisionador, e uma única vez sentido, te contamine pra sempre; e caso haja tropeços e desencontros com aquele que despertou isso em você, te proíba de ser feliz com qualquer outra pessoa pro resto da sua vida.

Não pode ser assim. Acredito em amores. E acredito em mutação de amores. Amores de verdade não são rígidos, e podem mudar. A gente não muda? Acho que o amor também muda. Muda com a gente, muda pela gente, muda a gente.

Então acho que entendi: talvez os amores de verdade sejam eternos sim, mas desde que mudem.

Hoje, nos meus já e ainda 27 anos, olho pra trás e consigo lembrar com muita, muita ternura de relacionamentos meus anteriores, onde tive sentimentos fortíssimos, que por um momento julguei que seriam eternos.

Eu os amo ainda. Só que eu, eles e o nosso amor, mudamos.

Uma vez, num pub com uma amiga, falando sobre amores passados, entre cervejas nossas e fumaça da mesa ao lado, soltei, sem nem entender o que eu mesma disse num primeiro momento, o seguinte:

-Vou te dizer que nunca teve ninguém que eu não esquecesse, por mais tempo que isso levasse. Mas ao mesmo tempo não tem nenhum deles, quer dizer, quase nenhum, que eu não pegaria de novo.

Mas talvez seja assim mesmo… o fato de simplesmente não negar, não significa convidar; não significa expressamente querer.

E o mais difícil não é aceitar isso na gente, e sim, em com quem tá com a gente. É essa é uma das várias sementes da mais daninha das ervas, o ciúme.

Mas isso… é assunto pra parte III.

Simplesmente amor – Parte I

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É que eu tenho pensado/refletido/conjecturado/filosofado/divagado/meditado e conversado um bocado acerca do tema mais comum da vida humana: o amor.

Amar é...

(.)
Não, não é o amor fraternal, universal, de pais e filhos, amigos ou irmãos. O amor entre duas pessoas. (ia escrever “amor entre um homem e uma mulher”,  mas lembrei que sou uma hetero moderninha e sem preconceitos.)
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Desse amor eu já fugi, já implorei que ficasse, já passei reto sem nem perceber

E a verdade verdadeira é, como disse lá no começo, que mesmo sendo o tema mais comum da vida humana, a gente não sabe lidar com ele. Não sabe.

O amor é engraçado. É um sentimento que a gente já sabe da existência antes de senti-lo. Quando começamos a nos entender por gente, só sabemos o que é raiva, saudade, ciúme, tristeza, alegria quando experimentamos. Mas o amor não. O amor já está nas novelas, nos livros infantis, nos filmes, nas músicas e em toda parte que a gente olhe procurando conhecer tudo, menos o amor. Esse amor é cheio de mensagens subliminares, esse amor é invasivo. Fazem lavagem cerebral na gente com esse amor.

Mas o único probema disso, ao meu ver, é que esse ensinamento de amor impregnado nos 4 cantos do munto, nunca vem pleno. O amor das histórias nunca pode ser amor de cara. Precisa sempre de sofrimento antes, de uma complicação, do vilão, da temporária separação, para só então poder ser amor.  O amor contado, precisa antes ser manchado.

Com essas repetidas e muito parecidas trajetórias de amor que presenciamos, quando calha de enfim sentir na pele o tal do amor, é muito difícil se deixar ser feliz de primeira. Não à toa, paixões adolescentes são quase sempre pré-roteiros de novela mexicana. E mais…quantas vezes a gente se pega lembrando de inúmeros empecilhos que colocou sutil e incoscientemente em relacionamentos anteriores? Buscamos a dor primeiro, com o bálsamo recompensador ao final.  Só que esse nem sempre vem, pois justamente por medo de se sofrer mais, o laço muitas vezes é cortado de vez, ou fica tão enrolado…que deixa de apetecer.

(continua)

Passa no débito?

E em um momento de inércia, Deus criou as coisas inúteis.  Entre as 10 mais, certamente estavam os papeizinhos comprovantes de pagamento do cartão de débito.

Cresci com aqueles conselhos de mãe e avó desconfiadas: “PEÇA SEMPRE A NOTA!”
Quando eu era criança, lembro de uma campanha na TV com musiquinha feliz incentivando os consumidores a pedir a nota fiscal – “SUA NOTINHA VALE UM NOTÃO”. E como brasileiro tem a eterna síndrome da vítima sacaneada, acaba tendo a mania de acumular qualquer prova de que comprou aquela coisa naquele lugar.

Só que essa merda não é nota, não serve pra porra nenhuma, ao contrário do que o nome ‘comprovante’ diz não comprova xongas, o que tá escrito nela apaga com o tempo, além de ter o incrível poder de sumir de qualquer lugar que você a deposite. Ou seja: um mero lembrete temporário que você agora tem menos dinheiro na sua conta que há 30 segundos atrás.

É, porém, um ótimo passatempo para sala de espera de consultório médico.

-O doutor tá atrasado, dona recepcionista?
-Um pouquinho só.
-Quantos na minha frente?
-Doze.
-Ah, tranquilo. Tenho pelo menos três horas de passatempo limpando minha carteira.

Já houve vezes em que eu quis dar uma de mulher responsável, ciente e com pleno domínio de todos os meus gastos, e tentei analisar tais comprovantes. Ver o que realmente foi importante, o que foi futilidade, etc. Mas como o nome do estabelecimento nunca tem porra nenhuma a ver com a lojinha feliz do shopping – tipo, o Mc Donlds é na verdade Dorotéia Quitutes – eu continuo na mesma.

Mas o alívio de ver a carteira magra ao final do processo é sempre gratificante.

Daí uma vez, vi um cara que trabalhou comigo adotar uma tática muito interessante.  Quando íamos almoçar, e a mocinha ia imprimir o comprovante do ticket – que é a mesma merda do débito -, ele dizia “não precisa tirar o meu não, tá?”. Adorei a idéia.

Só que alguns seres humanos simplesmente não pensam. Eu sei, dói aceitar isso, mas é verdade.

Percebi que freqüentemente quando eu digo “olha, não precisa me dar o comprovante não, tá?”, as criaturas dizem “Ah, tá”, imprimem do mesmo jeito…e jogam fora.

Os fabricantes de bobina agradecem.

ensaios sobre o tempo – II

Pessoas são tempo. Cada pessoa que surge é uma parcela de tempo; de um tempo específico; com peso impactante sobre nós específico.

E como são tempo, as pessoas passam. O lado bom é lembrar disso quando nos deparamos com aquelas pedrinhas no sapato. É só respirar fundo e lembrar que elas vão passar, e tratar de perder o mínimo de energia possível com essas.

O lado ruim todo mundo já sabe. É quando aquela pessoa tão profundamente fincada no fundinho da nossa alma…passa. Seja qual for o tipo de laço, é muito difícil deixar ir. Mas é mais difícil ainda tentar prendê-la, como quem segura areia daquela praia bonita dentro do punho fechado no meio da ventania descontrolada. Você não só não curte a pessoa, como ainda faz um esforço tremendo para mantê-la ali.

Abra a mão. Aos poucos. Dedo por dedo. Sinta a cosquinha boa que a areia faz ao de despedir de você. Alguns grãos sempre ficam. Eles vão cair sozinhos; não tente arancá-los ou pode se arranhar. Talvez um dia você volte àquela praia, talvez nunca mais passe nem perto. Mas o que já foi vivido ali é único, seu, o vento não leva e não requer força para ser guardado.

E lembre-se: você também passa e já passou pra muita gente. E talvez em várias dessas vezes nem tenha percebido a importância que lhe davam e o quão difícil foi deixarem você ir.

Bendita sois vós entre as mulheres.

É, Ana Carolina, você perdeu. Quem comeu a Madonna foi Jesus.

E ainda há quem diga que ela está apaixonada.

Apaixonada meu rabo.

Essa foi a coisa mais inteligente que ela podia ter feito! Quando o assunto do momento era a separação do Guy Ritchie, Madonna cata Jesus. Pegação sacro-incestuosa, que desvia todo o foco paparazzi, e assim ela pôde deixar os barracos do divórcio correndo por debaixo dos panos na tranqüilidade, enquanto todos se preocupam em caçar vorazmente informações sobre a vida do ninfeto – e que ninfeto! – que ela elegeu pra ser o passatempo de sua viagem, tal qual paçoca vendida dentro de ônibus.

Ela poderia escolher qualquer um. Quem se recusaria a pegar a maior diva de todos os tempos? Mas escolheu Jesus. Muito tutano e puro marketing. Merece mesmo é muito aplauso.

Aliás, pra mim, o que difere a Madonna de todas essas outras que tentaram ser, é a inteligência, além de ser muito safa. Ela nunca perdeu o controle da própria vida. É uma “feminista pós-feminismo”. Exalta todas as maravilhas e poderes que uma mulher carrega e não tá nem um pouco preocupada em competir com homem nenhum.

Em tempo: eu fui ao show. A mulé é realmente foda, e a gente tem mais é que tirar o chapéu. Que força, que presença, que realeza e molecagem ao mesmo tempo. Alto astral, todo mundo feliz, produção fodíssima. “Like a Prayer” foi uma experiência única, e juro, sem a chuva não teria sido tão bonita. Lagriminhas que nem eu entendi porque surgiram, correram minhas bochechas abaixo nesse momento.

Alma, roupas, tênis e corpo inteiro lavados.

Cuida do bebezão, lôra! Li que você já sequëstrou ele pro Reveillon em Londres, né? Tá certa. Certíssima. Não esquece de passar talquinho nem de cantar pra ele dormir.

:)





A maldição do pé-frio.

Só quem é pé-frio sabe o pavor constante que se carrega. E digo mais: pé-frio é um vírus, e não existem meias ou bacias de água quente no mundo suficientes para sanar este mal.

Tudo corria bem na minha vida de torcedora. Quase todas as competições que eu assistia me faziam feliz. Mesmo com somente 6 anos de idade, lembro perfeitamente do ouro olímpico de Aurélio Miguel. E o vôlei masculino em 92, Barcelona? Nossa, dei minha alma naquele jogo. Copa de 94 então nem se fala. Lembro até hoje da tensão, do meu estômago travado na cobrança de falta do Branco na semifinal contra a Holanda e as lágrimas que brotaram quando a bola entrou, e as tantas outras que derramei com o Tetra conquistado.

Até que em 1995, tenho certeza, só pode ter sido ali, eu contraí o vírus do pé-frio.

Uma vez cheguei do colégio passando muito mal mesmo, fui internada às pressas, o médico disse não conseguia diagnosticar o que era, mas que se fosse dengue, eu já naquele estado, iria morrer. Mas não era Dengue: era o vírus do pé-frio.

Ele começa a se manifestar aos poucos, não mostra logo de cara a que veio.

Eu torço pelo Fluminense. Poucos meses depois da minha recuperação, foi a final do campeonato carioca, o inesquecível Fla X Flu, onde numa cagada ímpar, torto e sem jeito, Renato Gaúcho dá uma barrigada (literalmente), e é gol. O jogo foi tenso, o gol foi sem querer, e mal imaginava eu, toda a tristeza que começava a causar à população pó-de-arroz, e mais adiante, ao Brasil.

Em 97, Fluminense rebaixado. Em 98, DE NOVO. Em 99, quando eu parei de ver os jogos por vergonha, ele foi campeão da terceirona, e (mesmo sem eu achar justo) voltou direto pra primeira.

A Copa de 98 eu assisti, e perdemos. Até os jogos do Intercolegial que eu fui lá torcer deram merda; vôlei, basquete, handball, perdemos tudo. A copa de 2002, agradeçam à Fifa por ter sido no Japão & Coréia, porque assim eu não aguentava acordar pra ver. Na final, já começando a entender que a culpa de derrotas anteriores era minha, fiquei mais olhando pra rua do que pro jogo, e vencemos.

Em 2003, comecei a ir direto no Maracanã com a minha prima ver os jogos do Flu. Só perdia. Quando presenciava um empate, meu coração se enchia de alegria. E incrivelmente, todas as partidas que eu não assistia, o Fluzão ganhava.

Em 2004, durante o carnaval, houve um Fla-Flu. Eu e minha galerinha íamos assistir juntos. Meu amigo – também tricolor – se atrasou, passou lá em casa pra me buscar com o jogo já iniciado. Fomos ouvindo no rádio pelo caminho, jogo tenso, zero a zero. Chegamos, entrei fazendo festa, olhei pra tela, pulando e gritando FLUZÃO EÔ – gol do Flamengo. INSTANTANEAMENTE gol do Flamengo.

2005 chegamos à final do Carioca de novo. Eu ia ao Maracanã, queria provar pra mim mesma que eu era mais forte que o vírus do pé-frio. Eu ia mesmo, estava decidida. Na última hora não fui, torci do bar.  O vírus me deu uma recompensa por não tentar ser mais forte que ele, e vencemos, não sem sofrimento, no último minuto da prorrogação, o Volta Redonda.

Aí eu entendi o seguinte: eu sempre tenho que me contentar com menos: Se o jogo é no Rio, eu não posso ir ao Maracanã; se é fora do estado nem pela televisão posso acompanhar. E outra: se tá ganhando, eu chego, empata ou perde. Se tá empatado, com minha aproximação é derrota certa.

Vocês não sabem como é terrível ter que recusar convites pra bares, estádios, casa dos amigos, em prol do bem de milhares de pessoas

Copa de 2006, me enfeitei toda de verde e amarelo em todos os jogos, e deu no que deu.

E agora é o momento onde revelo o meu maior crime: ter ido à final da Libertadores. Peço perdão à TODA massa tricolor, e tenho plena noção do sofrimento que causei à milhões de torcedores. Juro nunca mais tentar ir contra o mal que me domina. Eu não tinha ido a NENHUM jogo da Libertadores, nenhum. Só assistia de casa, do bar e mesmo assim sem dar atenção integral. A vitória contra o Boca acho que foi um momento de alta imunidade do meu organismo, onde o vírus ficou  meio caído. E na final, minha tia me dá um ingresso de presente. PRA QUÊ, meu Deus, PRÁ QUE?

Nas Olimpíadas, no dia da competição do Ciello, estava prestes a ligar a televisão, mas pensei que aquele menino tão bonitinho não merecia isso. Me tranquei no quarto e acompanhei pelos gritos dos vizinhos. E ele venceu.

Meninas do futebol, me perdoem, eu também as assisti. Acho que sou viciada em derrotas, existirá tratamento pra isso? Vôlei feminino, idem. Masculino não consegui acompanhar. Ainda bem.

Ah, Rubinho, Massa, desculpa também. Senna morreu antes que eu contraísse o vírus, então tá tranqüilo. Guga, mal aê. Edinanci, gata, seu bronze é puro mérito meu. Daiane, Diego Hypolito: mil perdões.

E agora começo a me questionar se esse mal que carrego não avançou do setor de esportes e invadiu agora a política. Ah, meu Deus! Só pode ser isso… Eu devia ter votado no Paes.

Muito além de “fogo e paixão”.

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Wando é a personificação da pornografia. A pornografia lúdica, sacana, descarada, digerível e apreciável.
Um sutil e elegante cinismo estampado em seu olhar.

Um sutil e elegante cinismo estampado em seu olhar.

Olhem bem esta face. Quantas mensagens subliminares nesta expressão!

Desde que eu me entendo por gente, minha mãe fala que o Wando tem cara de – bem, não tenho como ser elegante neste momento ou medir palavras, até porque todos os nomes que identificam o órgão sexual feminino são horrorosos e constrangedores – buceta.

Não tiro a razão dela. Vejam o quão sugestivos são os lábios carnudos e constantemente entreabertos.

Wando ganhou e firmou seu espaço numa sociedade predominantemente católica e hipócrita. É tido hoje em dia como o “brega legal”, respeitado, sempre recebido com honrarias, risadas e calcinhas.

Na atual conjuntura de não ter tempo nem de tirar cisco do olho, uma das minhas atividades preferidas ficou de lado, que é a degustação de tosqueiras musicais e internéticas. Mas hoje, por acaso, numa sexta feira como tantas outras, fui abençoada pelos deuses da infâmia. Achei totalmente sem querer este primor de composição musical do Wando:

Eu já tentei mudar
(o ô o ô)
Fazer com outro amor
(o ô o ô)
Mas juro que estranhei,
gozar eu não gozei
meu mundo acabou.

(ô, uouô uouô uouô)

Aquele amor filho da puta me deixou
(e eu tô sofrendo)
(ô, uouô uouô uouô)
Aquele amor filho da puta me deixou

Eu não mereço isso não
eu to judiado…

Não sei de quando é essa música, tentei catar no google a data de lançamento, mas nem achei. O fato é que nunca tinha visto Wando tão direto assim antes. Mas em tempos de “ai que homem gostoso, mete tudo até o ovo”, Wando inspira carinho.

Lembro que uma vez, lá pelos recém-iniciados anos 90, ouvi no rádio a “nas curvas do teu corpo”, que na época foi um choque e tanto. Nunca esqueci esses versos, desde a primeira vez que os escutei:

Eu morro de ciúme da calça que te veste que brinca e se diverte
tirando a minha paz
Eu fico tão confuso com a tua intimidade com aquele sabonete
nas partes sensuais

Hoje, adulta e com os devidos conhecimentos literários absorvidos ao longo da vida, percebo toda a vastidão do universo que se escondia por detrás destas palavras. Vamos agora a uma análise poética:

Vejam que métrica: os versos que se intercalam possuem exatamente o mesmo número de letras. Que riqueza de rimas. Enquanto o primeiro e terceiro verso tendem a rimar na grafia – diverte e sabonete -, o segundo e quarto realizam exatamente a função inversa: rimam na sonoridade, embora possuam escrita diferenciada – paz e sensuais.

A real é que Wando é um gênio que ganha dinheiro tirando onda com a cara de todo mundo e comendo mulher pra caralho. Seus primeiros álbuns eram de músicas brasileiras “normais”, por assim dizer. Era samba pra cá, capoeira pra lá, Oxossi acolá. E quase ninguém sabe disso. Mas Wando, o profeta, previu a putaria que se instalaria na cultura nacional em mais algumas décadas, e saiu na frente. Uma sacanagenzinha leve aqui, uma insinuaçãozinha sutil ali, até que em 1988 descarou geral no álbum “Obsceno”. Bingo. Vai que é tua, amigo. E falando em “vai que é tua”, recentemente o cara ainda me tem a malandragem de criar uma música pra torcida do flamengo cantar em homenagem ao xará dele. É muito conhecimento de marketing pra uma pessoa só. Viva o Wando.

E atire a primeira pedra quem nunca cogitou cantar uma música dele no Karaokê.

CADÊ?

Por que que a roupa que eu imagino colocar quando tô no banho nunca tá no armário na hora de concretizar meus planos? Ontem à noite ela tava lá, eu juro.